Albufeira é o concelho com a maior concentração de alojamento turístico do Algarve: mais de sete mil unidades de alojamento local registadas, mais hotelaria, e o segundo lugar na região em número de dormidas.
Isso significa que a esmagadora maioria do equipamento de climatização desta zona não serve quem o paga — serve quem lá dorme uma semana e escreve sobre isso a seguir.
Porque é que o ar condicionado aparece nas avaliações
Uma análise de mais de dois milhões e meio de avaliações online, em quase seis mil hotéis de vinte cidades, identificou os cheiros e o ar condicionado entre as categorias com mais menções negativas. As queixas sobre climatização apareceram no dobro das avaliações face a problemas de internet.
O mecanismo acontece nos primeiros trinta segundos de estadia. O hóspede entra, liga o ar condicionado e sente cheiro a húmido. A partir daí, a limpeza visível do quarto deixa de contar, porque a primeira impressão já foi feita pelo olfato — e é a que fica escrita.
É um problema inteiramente evitável com manutenção programada, e dos poucos cuja ausência ninguém elogia mas cuja presença toda a gente comenta.
Volume, e porque é que a época baixa não é negociável
Uma unidade hoteleira em Albufeira tem tipicamente entre cinquenta e várias centenas de unidades interiores. Um aldeamento ou um bloco de apartamentos em arrendamento turístico tem dezenas.
Em julho e agosto não há janela. Os quartos estão ocupados, a ocupação não permite tirar alas de serviço, e qualquer trabalho é feito a correr entre uma saída e uma entrada. O resultado é limpeza superficial, que é o mesmo que não limpar.
De outubro a março é quando se planeia por ala, por piso ou por bloco, com tempo para abrir cada máquina em condições. É também quando temos agenda para o fazer.
Fechar o calendário com meses de antecedência é literalmente a diferença entre o trabalho ser bem feito ou não.
Como se organiza um trabalho de grande volume
Levantamento. Quantas unidades, de que tipo, de que marcas, em que estado. Com isso sabemos quantos dias precisamos e qual o preço, sem surpresas no fim.
Calendário por zona. Nunca a propriedade toda ao mesmo tempo. Ala a ala ou piso a piso, para que os quartos voltem a ficar disponíveis à medida que avançamos.
Coordenação com o terreno. Governanta, manutenção ou direção, conforme a casa. Combinamos acessos, horários e ordem dos trabalhos.
Registo por unidade. Número do quarto, tipo de equipamento, o que foi feito, o que ficou assinalado. É o documento que justifica a despesa, serve de evidência de manutenção e permite planear o ano seguinte.
Preço acordado por unidade. Em volumes acima de vinte unidades, o valor é definido caso a caso em função do tipo de equipamento, do acesso e do calendário.
Alojamento local
Para proprietários e gestores de apartamentos de arrendamento turístico, aplica-se a mesma lógica numa escala menor. A diferença é a janela: entre reservas, com horário combinado para não cruzar com check-ins.
A altura certa é antes do início da época, não a meio. Um equipamento limpo é das primeiras coisas que o hóspede nota.