Quarteira é diferente de tudo o que fica à sua volta. Não é um resort nem um aldeamento — é uma cidade, com habitação permanente, prédios dos anos oitenta e noventa, comércio de rua e gente que vive aqui o ano inteiro.
Do ponto de vista do nosso trabalho, isso traduz-se numa coisa muito concreta: aqui encontramos o equipamento mais antigo da região, e com ele as limpezas mais difíceis e mais compensadoras.
O equipamento que nunca foi aberto
É o padrão desta zona e vale a pena descrevê-lo como ele é.
Um split instalado há doze ou quinze anos, num apartamento onde mora a mesma família desde então. Nunca teve manutenção porque nunca avariou. Os filtros foram lavados umas vezes, talvez, nos primeiros anos. A unidade continua a ligar e a dar algum frio, por isso ninguém pensou no assunto.
Quando se abre uma máquina assim, o permutador não está com pó — está colmatado. A turbina tem uma crosta nas pás com milímetros de espessura. O tabuleiro de condensados tem uma camada escura no fundo e a drenagem está parcialmente obstruída, o que explica a mancha que apareceu na parede por baixo há uns anos.
É uma limpeza profunda a sério, demorada, e é onde a diferença se nota mais. Investigação sobre acumulação em permutadores residenciais mostra que um equipamento típico acumula sujidade suficiente para duplicar a resistência à passagem do ar em cerca de sete anos e meio — contra uma vida útil de quinze a trinta. Um equipamento de quinze anos sem intervenção passou a maior parte da vida a trabalhar muito abaixo do que foi dimensionado para dar.
O que dizemos antes de começar num equipamento antigo
Há uma conversa que temos sempre em máquinas com muitos anos, e preferimos tê-la antes de abrir.
Em equipamentos antigos, os plásticos da carcaça ficam quebradiços com o tempo e com a exposição ao calor. Encaixes e patilhas podem partir na desmontagem, por mais cuidado que se tenha. Não é frequente, mas acontece.
Dizemos isso antes de começar, avaliamos o estado dos plásticos no local, e se houver risco real explicamos e deixamos a decisão ao cliente. O que não fazemos é descobrir o problema no fim e comunicá-lo com a peça já na mão.
Vale a pena limpar ou é melhor substituir?
É a pergunta mais honesta que se pode fazer, e a resposta depende de dois fatores.
Se o equipamento liga, arrefece e não tem avarias, limpar é quase sempre a melhor decisão: custa uma fração do preço de um equipamento novo e recupera boa parte da capacidade perdida.
Se o equipamento já não arrefece mesmo depois de limpo, perde gás com frequência, ou faz ruídos de compressor, a limpeza não resolve — e nós dizemos. Não limpamos máquinas para depois o cliente descobrir sozinho que o problema era outro.
Comércio de rua
Quarteira tem comércio tradicional, cafés e pequenos restaurantes com equipamento instalado há muitos anos e em funcionamento diário. Aplica-se tudo o que está acima, com o fator adicional da gordura em suspensão nos espaços com cozinha — que satura o permutador muito mais depressa e exige duas intervenções por ano.