A regra geral é simples: uma vez por ano. O que não é simples é perceber quando essa regra não serve, porque a resposta depende menos do calendário e mais de quantas horas a máquina trabalha e do ar que respira.
A tabela, por tipo de utilização
| Situação | Limpeza profunda | Porquê |
|---|---|---|
| Habitação permanente, uso de verão | 1 vez por ano | Utilização concentrada em três ou quatro meses |
| Habitação com aquecimento no inverno | 1 vez por ano, antes do verão | Uso prolongado mas com carga de pó moderada |
| Casa de férias fechada vários meses | 1 vez por ano, antes de reabrir | A humidade acumulada com a casa fechada é o pior cenário |
| Alojamento local | 1 a 2 vezes por ano | Uso intensivo e rotação de hóspedes |
| Hotel | 1 a 2 vezes por ano, em época baixa | Funcionamento contínuo durante meses |
| Escritório | 1 vez por ano | Ocupação regular, pó moderado |
| Restaurante ou cozinha | 2 vezes por ano | Gordura em suspensão satura o permutador muito mais depressa |
| Casa com animais | 2 vezes por ano | Pelo e caspa colmatam filtros e lamelas |
| Obra recente no edifício | Assim que a obra terminar | O pó de construção é o mais agressivo de todos |
Entre limpezas profundas, os filtros devem ser lavados de dois em dois meses durante a época de uso. Isso é trabalho de cinco minutos e faz-se sem técnico.
Os sinais que mandam mais do que o calendário
Há quatro indicadores que valem mais do que qualquer tabela. Se algum aparecer, não espere pelo ano.
Cheiro ao ligar. O mais claro de todos. Significa que já há biofilme instalado no permutador ou água parada no tabuleiro.
Menos ar a sair. Ponha a mão à frente da grelha. Se o sopro está mais fraco do que se lembra, as lamelas estão obstruídas.
Precisar de baixar o termóstato. Se antes arrefecia bem a 23° e agora precisa de 19° para o mesmo efeito, a máquina perdeu capacidade. Não é do calor lá fora.
Água a pingar da unidade. Quase sempre é a drenagem entupida pela sujidade acumulada no tabuleiro. Resolve-se na limpeza.
O que custa adiar
Aqui os números são claros e vale a pena olhar para eles.
Um estudo experimental em unidades split mediu o desempenho com o permutador progressivamente obstruído. Com cerca de 30% da superfície coberta, a capacidade de arrefecimento caiu 19,1%, a eficiência energética caiu 13,5% e o consumo subiu 6,4%.
Investigação sobre acumulação de sujidade em permutadores residenciais mostra que basta uma redução de 5 a 10% no caudal de ar para a capacidade e a eficiência caírem 2 a 4%. E que um permutador típico acumula sujidade suficiente para duplicar a perda de carga em cerca de sete anos e meio — contra uma vida útil de 15 a 30 anos. Por outras palavras: a máquina passa a maior parte da vida a trabalhar abaixo do que foi dimensionada para dar.
Traduzido para o equipamento que tem em casa: uma unidade de 12.000 BTU que perde 19% de capacidade passa a comportar-se como uma de 9.700 BTU. Continua a arrefecer, mas demora mais tempo, trabalha mais horas e consome mais para dar o mesmo resultado.
E há o efeito inverso, que compensa: cada grau a mais que conseguir pôr no termóstato representa cerca de 279 kWh poupados por ano, segundo a mesma investigação. Recuperar capacidade é recuperar graus.
Casa fechada vários meses: o caso mais crítico
É a situação mais comum no Algarve e a menos acautelada.
Uma casa fechada de outubro a maio tem humidade relativa alta, ar parado e zero ventilação. O interior da unidade mantém-se húmido durante meses, à temperatura ambiente, sem qualquer corrente de ar. São as condições ideais para o crescimento de fungos — melhores, até, do que durante a utilização.
Quem reabre a casa em maio e liga o ar condicionado recebe de volta tudo o que cresceu lá dentro durante o inverno, concentrado nos primeiros minutos.
Se tem casa de férias ou gere propriedades de terceiros, a altura certa de limpar não é agosto. É abril ou maio, antes da primeira utilização.
Porque é que a época baixa é melhor para quem tem muitas unidades
Para hotéis, alojamento local e condomínios, o momento da intervenção é tão importante quanto a frequência.
Em época alta não há janela: os quartos estão ocupados, os equipamentos não podem parar e qualquer trabalho é feito a correr entre saídas e entradas. Em época baixa planeia-se por ala ou por piso, com tempo para fazer o trabalho em condições.
De outubro a março é quando o fazemos melhor, e é também quando temos agenda para o fazer.
Em resumo
Uma vez por ano para a maioria das casas. Duas para quem usa o equipamento muitas horas por dia ou tem gordura, animais ou obra pelo meio. E sempre antes de reabrir uma casa que esteve fechada.
Se o seu já dá algum dos quatro sinais acima, não vale a pena esperar pelo próximo verão.