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Fungos no ar condicionado: o que cresce lá dentro e porque importa

Um ar condicionado reúne, por construção, as três condições que os fungos precisam para crescer: humidade constante, escuridão total e temperatura amena. Acrescente-se matéria orgânica — pó, pólen, fibras, gordura — e tem-se um meio de cultura a funcionar dentro da parede da sala.

Não é um problema exótico nem raro. É o estado normal de qualquer equipamento que nunca foi aberto.

O que cresce lá dentro

Os géneros mais frequentemente identificados em unidades de climatização são o Aspergillus, o Penicillium e o Cladosporium. Crescem sobre as lamelas do permutador, nas pás da turbina e nas paredes do tabuleiro de condensados, formando o biofilme — aquela camada escura e pegajosa que não sai com água corrente.

O tabuleiro de condensados merece atenção especial. É onde há água parada, sobretudo quando a drenagem está parcialmente obstruída. Água parada e matéria orgânica à temperatura ambiente é a combinação que mais depressa gera colónias ativas.

Quando o ventilador arranca, o ar passa por tudo isto antes de entrar na divisão.

Efeitos na saúde

A exposição a esporos de fungos em ambiente interior está associada a sintomas respiratórios e alérgicos: tosse, pieira, congestão nasal, irritação da garganta e dos olhos. Em pessoas com asma ou rinite alérgica, a exposição continuada tende a agravar os sintomas existentes.

Há dois sinais que ajudam a perceber se o problema está no ar interior e não noutro lado. O primeiro é a sazonalidade invertida: sintomas que pioram dentro de casa e melhoram quando se sai, em vez do contrário. O segundo é a coincidência: várias pessoas da mesma casa ou do mesmo escritório com queixas ao mesmo tempo, no mesmo período do ano.

Nenhuma destas observações substitui uma avaliação médica. Mas se o cheiro a húmido aparece ao ligar o aparelho e os sintomas acompanham, vale a pena abrir a máquina antes de procurar causas mais complicadas.

O que a lei portuguesa exige

Esta parte interessa sobretudo a hotéis, alojamento local com estrutura empresarial, restaurantes, lojas, escritórios e espaços com atendimento ao público.

O Decreto-Lei n.º 101-D/2020 determina que todos os edifícios de comércio e serviços em funcionamento estão sujeitos a requisitos de qualidade do ar interior. A Portaria n.º 138-G/2021 concretiza-os, estabelecendo limiares de proteção e condições de referência que incluem poluentes microbiológicos — ou seja, bactérias e fungos — e prevendo avaliação periódica.

A Portaria n.º 138-I/2021 vai mais longe no que toca a manutenção: exige que os sistemas de ventilação disponham de acessos fáceis para inspeção e manutenção de filtros, baterias e permutadores de calor, tabuleiros de condensados, unidades de tratamento de ar, ventiladores e rede de condutas.

Dito de forma direta: a lei não trata a limpeza de climatização como um extra estético. Trata-a como parte da conformidade do edifício.

Esta é informação de carácter geral e não substitui aconselhamento jurídico nem a confirmação junto da entidade competente. Cada caso depende do tipo de edifício, da área e da atividade.

Porque isto importa mais em hotelaria e alojamento local

Além da conformidade, há o lado comercial, e é mensurável.

Uma análise de mais de dois milhões e meio de avaliações online, em quase seis mil hotéis de vinte cidades, identificou os cheiros e o ar condicionado entre as categorias com mais menções negativas. As queixas sobre climatização apareceram no dobro das avaliações face a problemas de internet.

O hóspede entra no quarto, liga o ar condicionado e sente cheiro a húmido nos primeiros segundos. A partir daí, tudo o resto no quarto é avaliado por essa lente — por mais impecável que esteja a limpeza visível. É dos poucos problemas de hotelaria que é inteiramente evitável com manutenção programada.

O que não resolve

Ambientadores e sprays. Mascaram o cheiro durante algumas horas e não tocam na causa. Em quartos de hotel têm o efeito contrário ao pretendido: o hóspede percebe que se está a esconder alguma coisa.

Lavar os filtros. Deve fazer-se, mas retém o pó grosso. O biofilme está no permutador, na turbina e no tabuleiro, por trás dos filtros.

Trocar o equipamento. Uma máquina nova nas mesmas condições de utilização chega ao mesmo estado em poucos anos. O que muda o resultado é a manutenção, não a data de fabrico.

O que resolve

Abrir a unidade, desmontar a turbina, lavar o permutador lamela a lamela, limpar o tabuleiro, desobstruir a drenagem e aplicar produto de higienização específico para equipamentos de climatização. Depois testar e confirmar o caudal.

É isto que fazemos, e é só isto que fazemos. Em Almancil, Quinta do Lago, Vale do Lobo, Vilamoura, Quarteira, Loulé, Albufeira e Faro.

Para hotéis, condomínios e gestoras de propriedades, planeamos a intervenção por ala, por piso ou por propriedade, em época baixa, com registo do que foi feito em cada unidade.

Sala de uma moradia moderna no Algarve com ar condicionado de parede e vista para a piscina e o mar
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